Viajar e contar histórias são as duas grandes paixões. Com 26 anos acabados de fazer, Rita da Nova já passou pelo jornalismo, como diz “numa altura em que só se despediam jornalistas” e deixou-se seduzir pela estratégia de comunicação digital. É num blogue que dá asas ao storytelling no que chama as suas rubricas: viagens, livros e comida.

Mesmo sem exageros, a saúde e o bem-estar fazem parte da sua lista de prioridades. Adepta convicta do sossego do lar e do sofá, não deixa por isso de acordar bem cedo para ir ao ginásio. Almoça salada todos os dias, varia ao jantar, mas beber água é algo que faz com a ajuda de uma app que serve de lembrete.

Fique a conhecer estas e outras rotinas da blogger que não quer criar tendências, apenas partilhar experiências que podem fazer sentido para os seguidores.

VMM: Como surgiu o seu blog?

RN: Da minha necessidade de contar histórias, foi isso que me puxou para o jornalismo, querer contar o que estava a acontecer. Surge primeiro como um blog de viagens, mas como houve uma fase em que viajei menos acabou por ficar com menos conteúdos. Com uma viagem recente a Nova Iorque, voltou a acontecer e decidi partilhar mais do que viagens. Fui também ganhando o gosto pela fotografia, publicando no Instagram e percebi que tinha rubricas minhas: viagens, livros e comida. Sou uma mistura dessas três coisas e o escrever é o fio condutor.

VMM: Acredita poder influenciar com o blog uma nova geração para uma vida mais saudável, criar mesmo tendências?

RN: Sou anti-modas nesse sentido, tenho muito cuidado no modo de falar da minha experiência. Não quero que as pessoas a achem taxativa, igual para todos. Algumas coisas, porém, farão sentido para os leitores e poderão experimentá-las. Partilhei, por exemplo, a minha rotina de exercício para mostrar que não é assim tão difícil acordar todos os dias às 6.30 da manhã para nos exercitarmos. Mostro ainda algumas substituições que se podem fazer na comida, sem perda de sabor. Partilho o que faço, mas não para criar tendências. Somos todos tão únicos e diferentes. Agora há esta moda do glúten, todos acham que é mau e que vamos todos comer sem glúten; ou que o leite é o inimigo. Não deve ser assim. Se a pessoa se sente bem a beber leite, por exemplo, porque deixar de o fazer?

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créditos: Pedro Tavares Cardoso

VMM: O que a faz feliz?

RN: Viajar, sem dúvida. Começo a definhar se estou algum tempo sem viajar, fico ansiosa e até deixo de pensar bem. É também importante uma boa combinação entre exercício físico e alimentação. Gosto de sentir que me mexo um bocadinho todos os dias. Posso nem ir ao ginásio, basta um passeio ao final da tarde ou ir a pé para casa.

VMM: Usa as novas tecnologias na rotina de saúde e bem-estar?

RN: Tenho uma app que me chama a atenção para beber água. Sabe muito bem fazê-lo, mas ando sempre de um lado para o outro e nunca me lembro. Costumo dizer que é uma app um bocado histérica porque me diz de dez em dez minutos que devo beber água, que assim o meu fígado não vai funcionar. Calcula a quantidade necessária conforme o peso, a idade e a atividade física, no meu caso é litro e meio e vou registando o que bebo. Se ultrapasso o valor, num dia mais quente, também me avisa para não beber tanto.

VMM: Aos 26 anos acabados de fazer tem-se muitas preocupações com a saúde?

RN: Sim. Ainda há pouco tempo fui fazer uma série de consultas porque contacto com pessoas cada vez mais novas que sofrem de problemas de saúde graves. Convém preocupar-me, sem exageros, sem estar sempre no médico, mas tendo sobretudo cuidado com a alimentação e o exercício.

VMM: E que cuidados com a alimentação são esses?

RN: Tenho uma alimentação que não se pode chamar regrada. Se um dia me apetece um gelado, como sem problemas. Gosto, acima de tudo, de alimentos frescos e o menos processados possível. Há coisas que não como, mas porque não gosto: carnes vermelhas, por exemplo, não gosto desde miúda. Mas como perfeitamente carnes brancas, queijo, iogurtes. Leite de vaca também não bebo porque não gosto. Almoço quase sempre o mesmo todos os dias. Como sou muito organizada, preparo as saladas todas ao domingo, iguais para ser mais fácil. Não enjoo porque vario ao jantar. Ao contrário da maioria das pessoas, não consigo comer antes de ir ao ginásio, fico indisposta. Faço o oposto, como mais à noite, às vezes até mais do que me apetece porque sei que vou precisar da energia de manhã.

VMM: E como é a sua rotina de exercício, que já partilhou no blog?

RN: Vou ao ginásio cinco a seis vezes por semana. Obriguei-me a ir todos os dias no início. Custa nas primeiras duas semanas, mas depois é uma rotina que se ganha bem, torna-se quase um vício. Tenho de fazer sempre um pouco de exercício diariamente porque estou sempre sentada no escritório, nem que seja andar um pouco à hora de almoço. Não gosto de correr na rua, ou porque está demasiado calor ou faz demasiado frio. Prefiro uma mistura de aulas cardio com um pouco de musculação. Também já fiz pilates por causa da coluna. Ajuda muito quando se passa o dia sentada, e eu tenho a má postura do computador e faço muitas contraturas nos ombros. A isso junto massagens uma vez por semana, que fazem milagres.

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créditos: Pedro Tavares Cardoso

VMM: Tem algum hábito de relaxamento, meditação por exemplo?

RN: Meditar não medito, mas gosto da natureza calma, de estar sentada no banco de jardim a ver as pessoas passar, o que já limpa muito a cabeça. Isso e ler. A leitura é a minha terapia de choque em qualquer ocasião.

VMM: Acorda muito cedo. Como são os seus hábitos de sono?

RN: Deito-me muito cedo, sempre que possa. Gosto de estar na cama o mais tardar às dez e meia, onze horas. E durmo muito bem. Há até uma história curiosa. Como não tenho espaço para mesa de cabeceira não posso carregar o telemóvel, que fica na cozinha. O que começou por ser um problema de logística acabou por se tornar um hábito muito bom. Apesar de ter acontecido não por perturbar o sono, durmo muito melhor sem o incómodo da luz ou do som. E o hábito estendeu-se a fins-de-semana e viagens. Para além disso, obriga-me a levantar para desligar o despertador.

VMM: Consegue desligar o telemóvel, viver sem ele?

RN: Consigo, sim. Sou muito digital, estou sempre ligada, mas consigo estar um dia todo sem telemóvel e até me sabe bem. Agora viver sem, isso não conseguia!

VMM: É adepta de alguma mezinha, algum segredo saudável?

RN: Chá de limão com mel. Tomo logo que sinto que a garganta não está bem, mesmo no verão.

VMM: O tempo frio aproxima-se. Tem algum cuidado especial nesta altura?

RN: Com a pele, sobretudo, porque tenho psoríase. No verão, o calor ajuda a controlar, mas no inverno surgem as crises e é preciso hidratar mais. Tenho ainda cuidado com os lábios por causa do cieiro. Tomo também mais vitaminas para combater a baixa das defesas do organismo.

Flash Interview

Corrida ou ginásio Ginásio

Fim de semana agitado ou no sofá – No sofá, com um livro e as minhas gatas. Sou a pessoa mais caseira do mundo.

Farmácia ou ervanária – Depende, mas tem de ser farmácia por causa da psoríase.

Yoga ou pilates – Pilates

Salada ou bife com batatas fritas – Salada, salada, salada.

Primavera, verão, outono ou inverno – Outono. Setembro/outubro é a minha altura preferida do ano. Gosto das folhas a cair, da meia manga.